A Agroflor iniciou os procedimentos para a execução de um importante projeto de acesso à água no Estado, integrando a política pública de convivência com o semiárido promovida pelo Governo de Pernambuco.

A iniciativa faz parte do projeto estadual de construção de cisternas, que contará com um investimento total de R$40 milhões. Os recursos são executados por meio da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Agrário, Agricultura, Pecuária e Pesca, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, do Governo Federal. O objetivo é a construção de aproximadamente 4,6 mil cisternas em 38 municípios pernambucanos afetados pela estiagem, ampliando o acesso à água para consumo humano e produção de alimentos.

A seleção dos municípios contemplados foi realizada a partir de critérios técnicos estabelecidos pelo Governo Federal, considerando especialmente o grau de vulnerabilidade das populações rurais e priorizando localidades ainda não atendidas pelo Programa Cisternas. O projeto está estruturado em diferentes lotes, distribuídos entre organizações da sociedade civil habilitadas para sua execução.

Nesse contexto, a Agroflor foi contemplada com o Lote 3, que prevê a implantação de tecnologias sociais de acesso à água para consumo humano, sendo esta, a cisterna de placas com capacidade para 16 mil litros. A atuação abrangerá municípios das regiões da Mata Sul, Agreste Central e Agreste Setentrional de Pernambuco, incluindo Carpina, Casinhas, Chã Grande, Cupira, Frei Miguelinho, Limoeiro, Pombos, Santa Cruz do Capibaribe, Toritama e Tracunhaém.

Os demais lotes do projeto estão sob responsabilidade de outras organizações selecionadas, que também atuarão na construção de cisternas com diferentes capacidades, incluindo modelos de 52 mil litros, ampliando o alcance das ações e atendendo às diversas necessidades das comunidades beneficiadas.

Com duração prevista de 12 meses, o projeto tem como principal objetivo promover a segurança hídrica e melhorar a qualidade de vida de famílias em situação de vulnerabilidade social afetadas pela seca no Estado. Nesta etapa inicial, as atividades estão concentradas na formação das comissões municipais e no processo de seleção das famílias que serão beneficiadas. As comissões desempenham um papel estratégico, pois permitem identificar as demandas locais, reconhecer potencialidades e orientar a implementação de ações mais eficazes e alinhadas à realidade de cada território.

Nesta primeira etapa, 5 comissões municipais foram formadas para dar início às atividades nos territórios, sendo estas, as comissões de Casinhas, Frei Miguelinho, Limoeiro, Carpina e Tracunhaém, possibilitando o diálogo por etapa, ficando os demais municípios para as próximas fases do projeto.

Um mundo melhor é possível! 

Agroflor participa entre os dias 25 a 28/11/2025 da oficina de monitoria pedagógica do programa cisterna nas escolas em Crateús no Ceará. 

A Oficina de Monitoras e Monitores Pedagógicos do Programa Cisterna nas Escolas da Articulação do Semiárido Brasileiro, realizada entre os dias 25 a 28 de novembro de 2025, no município de Crateús (CE), reuniu profissionais de instituições executoras de sete estados do Nordeste e do estado de Minas Gerais em um processo formativo estratégico. O encontro teve como objetivo aprofundar a compreensão das metodologias, responsabilidades e fluxos que estruturam os momentos formativos do programa, reafirmando a educação contextualizada e a convivência com o Semiárido Brasileiro como princípios orientadores de uma prática educativa comprometida com o território e com a vida.

Ao longo da oficina, foram consolidados entendimentos comuns sobre os quatro momentos formativos que compõem o Programa “Cisterna nas Escolas” — Encontro Territorial, Encontro com a Comunidade Local, Manejo Sustentável da Água na Escola e a Oficina de Educação Contextualizada — reforçando que a cisterna escolar não pode ser compreendida apenas como infraestrutura hídrica, mas como tecnologia social articulada a um projeto pedagógico. As reflexões destacaram que educar no Semiárido exige reconhecer o território como espaço de produção de saberes, identidades e soluções, superando visões estigmatizadas que historicamente reduziram a região à seca e à escassez.

Nesse sentido, a oficina reafirmou o papel histórico da Articulação Semiárido Brasileiro e das organizações da AP1MC (Associação Programa 1 Milhão de Cisternas) como referências na construção de políticas públicas de acesso à água e de educação para a convivência com o Semiárido. A educação contextualizada foi compreendida não como um conteúdo pontual ou um requisito contratual, mas como modo de vida e orientação permanente da ação educativa, desafiando modelos hegemônicos de escolarização desconectados da realidade social, ambiental e cultural das comunidades.

Um dos eixos mais relevantes do encontro foi o debate sobre gênero, que atravessou de forma transversal as discussões metodológicas e políticas. A expressiva participação de mulheres — agricultoras, educadoras, coordenadoras, cozinheiras escolares e lideranças comunitárias — evidenciou a centralidade do trabalho de cuidado e a necessidade de enfrentar desigualdades estruturais ainda presentes nos espaços de decisão. O reconhecimento das cozinheiras e merendeiras escolares como educadoras reforçou a compreensão de que as tecnologias sociais da água também são tecnologias de cuidado, fundamentais para a reorganização da vida cotidiana no campo.

Do ponto de vista pedagógico, os trabalhos em grupo destacaram a importância da integração entre escola e comunidade, do uso de metodologias ativas e da valorização dos saberes locais. A Oficina de Educação Contextualizada foi estruturada em módulos que articularam fundamentos conceituais, ações concretas e avaliação coletiva, demonstrando como diferentes áreas do conhecimento podem dialogar com a realidade do Semiárido — da matemática à biologia, da geografia à produção de alimentos. A visita técnica à Escola Família Agrícola (EFA) Dom Fragoso reforçou, na prática, a potência de uma educação ancorada no território, na agroecologia e na formação humana integral.

Como síntese, a oficina apontou que a educação contextualizada é uma prática contínua, que não se encerra com o fim de um projeto ou contrato, e que as instituições executoras têm responsabilidade na garantia de sua permanência. A cisterna na escola, quando articulada a um projeto educativo e civilizatório, amplia direitos, fortalece a soberania alimentar e reafirma a convivência com o Semiárido como horizonte ético, pedagógico e político. O desafio posto é assegurar que cada cisterna instalada representa não apenas acesso à água, mas também sentido, pertencimento e transformação social no cotidiano das comunidades escolares.

Redação: Glaydson Queiroz. 

Fontes: Anotações pessoais, materiais informativos da ASA Brasil e relatoria do evento oferecida pela equipe da AP1MC. 

Publicado dia: 22/12/2025.